terça-feira, 14 de abril de 2009

Tudo isso



Sem apego a referências posso me lambuzar de originalidade.
Ou seria ousado demais considerar que o mundo é minha interpretação?
Sim é, será, foi...só isso.
Interpretações contagiosas, como por exemplo, as palavras de Epicuro sobre a felicidade, sem que sejam referenciais imóveis mas sim questionamentos iniciais que geram outros e mais outros até esbarrar no infinito. O apego do qual falo seria concordar com a pergunta e dar-se por satisfeito com a resposta.
Eis que a sorte não é uma divindade, como a maioria das pessoas acredita. "Irmãos"!! Os deuses não fazem nada ao acaso e o incerto tem sim origem e um ou muitos porquês. O sábio não crê que ela, a sorte, proporcione aos homens nenhum bem ou nenhum mal que sejam fundamentais para uma vida feliz, mas, sim, que dela pode surgir o início de grandes bens e de grandes males em forma de tragetórias desafiantes. A seu ver, é preferível ser desafortunado e sábio, a ser afortunado e tolo; na prática, é melhor que um bom projeto não chegue a bom termo, do que chegue a ter êxito um projeto mau.

As dúvidas são o alimento;
as decepções a vestimenta;
o Sol as alegrias;
o amor a água...
e, finalmente, o BEM, este acontece quando juntamos nossas bagagens...
Porque não se assemelha absolutamente a um mortal o homem que vive entre bens imortais.
Ass.
Eu sobre minhas interrogações.
(?)

terça-feira, 24 de março de 2009

Sexta de 7


O Encantamento

Pois bem, o bom filho à casa REtorna.
Após algumas vírgulas, eis que o tratado recebe continuidade. Se alguém acompanha este blog semi-organizado em partes distantes perceberá que existe sim uma conexão discreta que torna todas as postagens registros de uma travessia atenta, apesar das travessuras que a desalinham.

Essa casa, um imóvel de sete cômodos(as sete virtudes), interligados por um corredor estreito, representa a missão com a qual me comprometi: refletir transformando em palavras, mudas e em estado de dicionário, as percepções retiradas da concentração no espaço em que interajo, sabendo ser tudo possível e nada definitivo.
Contemplar palavras é motivo de satisfação pessoal onde as sete virtudes são apresentadas uma a uma até que possam concluir o tratado como quem pensa terminar a construção do cenário para o roteiro do caos diário, componente fundamental da dimensão (a)temporal que chamamos de vida, mas que reconhece as constantes e necessárias mudanças na decoração, as reformas e retoques que deverão acontecer permanentemente, sem data fim. Contudo, aqui o limite é relato em forma de pensamentos formalizados que nascem de uma interpretação limitada e limitante.

O encanto está em acreditar que esta casa é um LAR...


Então...

Abrindo a porta do sexto cômodo, um sorriso e um suspiro. Fiquei encantada... Encantamento é a reação do ser humano, criada em função de um estímulo externo qualquer que provoca a sensação de interesse intenso, colocando aquele que estiver sobre esse efeito uma espécie de êxtase de embevecimento relacionado ao que é bom, agradável ou maravilhoso. O estímulo é externo, porém, sem a interação com a riqueza da alma não passa de fato.
Fascinação, magnetismo no modo de relacionar-se com a realidade de um mundo de empatia aleatória. Mais do que a beleza e a inteligência, falo de um encanto que não impressiona apenas pelas formas visíveis, mas pelo mérito que contagia o coração. Willian Shakespeare em “A Comédia dos Erros” disse que a mais bela jóia, sem uso, perde o encanto. Quem sabe não será porque ela não trocou o brilho inercial inicial pelas histórias que testemunharia ao se aventurar em exposição num pescoço, num dedo, num punho de uma mulher? Seria uma troca “justa”não? Encantamento não seria uma carta branca à comoção? Emoção reagente com doçura e ferocidade irradiando paz e luta?
Talvez o encanto esteja não nas paisagens, nas pessoas, nos acontecimentos, mas sim nos olhos e sentidos daquele que as vêem, presenciam, sentem. É inevitável que encontremos em algum ponto o nosso destino indesejado e temido, ponto onde a consciência nos encara nos olhos com a firmeza de um juiz que sereno e perverso nos “acorda” para o desespero do fim, do desconhecido: a morte.
Encantar-se então é ser ingênuo ao ponto de esquecer da existência dessa e de tantas outras dores por alguns mágicos momentos.
Como presenciar um pôr-do-sol de um domingo encantador sob melodia e letra em música encantadora e se não bastasse, em companhia que mais parece um sonho encantado. Um dicionário inteiro não seria capaz de traduzir...o encanto.
Quanto mais parâmetros absolutos colecionamos, menos encantamento nos permitiremos.
Posso perder tudo:as palavras, a voz e até a esperança...mas se ainda assim possuir a capacidade de me encantar, serei parte de um todo sublime imensurável onde a magnitude é se perder na emoção, simplesmente...até e justamente sem razão.

segunda-feira, 23 de março de 2009

Estado de Espírito

Caminho sob a luz das estrelas...não preciso voar para alcançar tesouros. "Meu all star azul combina com o seu preto de cano alto".

domingo, 8 de março de 2009

Há momentos em que as palavras não passam de meros ruídos inúteis
ou registros de um pensamento aprisionado que solta as correntes mas esbarra no portão cadeado.
...
A fuga nada mais é do que a busca.
Onde ela está? Nos sonhos? Nas realidades? Dentro de cada um?
...felicidade: a chamam assim...
...de ser feliz quem entende?
...
Venho somente para evitar páginas em branco, espaços vazios,
deixar que habite a reflexão,
impere a dúvida, a surpresa,
o sim, o não
... mas continuo a não entender nada de felicidade.
Talvez porque ela seja exatamente isto: um nada que recebeu um nome que virou motivo de obstinação.
...
No meu tudo,
me nego a ser cega de olhos abertos,
ser levada de arrasto é o que não pretendo.
Não me preocupo em seguir sem deixar vestígios.
Enquanto tiver sangue quente em minhas veias
esquecerei do fim pra que exista sempre um começo,
uma busca atenta à paisagem daqui a dois passos, daqui a algumas curvas.
assim livre,
sem compromisso,
sem pressa,
sem volta,
de pés descalços e alma nua
prossigo acordando motivos e me reinventando para sempre e mais
então...


vou chamar isso de felicidade.
(Cerqueira, Cris)




terça-feira, 17 de fevereiro de 2009

...tudo "fica bem"...


Era uma vez uma flor.
Era uma vez o sereno.

Encontravam-se somente à noite.
Nas noites quentes ele refrescava-lhe as pétalas.
Nas noites frias ela o aquecia para que não congelasse.
...cúmplices da imperfeição...surgiam afinidades.

Nos encontros...
em silêncio compartilhavam a solidão das alegrias, relatavam tragédias controvertidas entre momentos negros e coloridos, entre sorrisos e lágrimas numa melodia curiosa de semelhanças.
Suas histórias falavam sobre o vazio e a plenitude, a angústia e a euforia, o sofrimento e a satisfação, o medo e a coragem, as falsas culpas, o preço da falta ou da presença do sentimento ao qual os humanos dão o nome de "amor" ... Bobagens sérias e seriedades tolas.
A flor temia o próprio medo, a dúvida quanto à presença do sereno: sanar-lhe as carências físicas de um afeto especial ou aprisionar-lhe a alma em sua própria interpretação depois que ele partia ao amanhecer, deixando-a com as gotas de orvalho e com a saudade.
Diferentemente da proteção que seus espinhos ofereciam diante das ameaças externas, contra o sereno, eles nada podiam.
Desprotegida estava a flor.
Em seu caminho estava o inconstante sereno.
Então, a flor pediu aos deuses que a iluminassem com inspiração e sabedoria.
Estes, imparciais, disseram que não existem promessas além de palavras, apenas a certeza dos riscos constantes.
Que abandonando qualquer julgamento ou premissa, esquecendo-se da força do tempo, ambos permaneceriam com os corações intactos e protegidos.
E ainda, que
a razão dos encontros imprevisíveis dotados de complexidade trariam a consciência da impossibilidade de existir harmonia entre regras e desejos... provocando-lhes as almas, tirando-lhes do conforto, dando motivos que os levassem ao questionamento dos acasos e das mudanças escolhidas
...para a vida...
...para a morte...
...para a eternidade...

E os outros personagens?
As flores, de todas as cores e espécies...?? A luz do Sol, o vento, a chuva...??
..apenas não citados com a devida importância, pois esta é a história do encontro de uma flor com o sereno.

Certa noite...
O desencontro.
A flor não estava mais lá ou será que o sereno esqueceu, abandonou, fugiu daquele lugar?
Não importa, dizem que belas histórias simplesmente acabam ou tem final triste.

Era tão... somente... uma flor.
Era somente... tão... o sereno.

Tudo muda, mas não inteiramente porque sempre começa com "Era uma vez..." (Cris)

quinta-feira, 5 de fevereiro de 2009

Uma das antigas






Relendo alguns escritos arquivados no meu computador, me deparei com essa "metida crítica literária" que ousei escrever meses atrás. Então, resolvi publicar aqui para não deixar o blog tão abandonado. Deve ter algo de bom ou, pelo menos, de ruim que possa provocar alguma reação melhor do que a resultante do abandono...rsrs.

Me entusiasmei com o Best Seller Americano "A Cabana" de William P. Young, escritor com formação acadêmica em Religião cujos pais eram missionários. Resolvi comprar e descobrir o que tem de tão especial. Cris, ouvi certa vez, por que você lê essas porcarias fúteis estilo "super produção hollywoodiana"?

Resposta: Estou certa de que para matar minha curiosidade precisarei, no mínimo, CONHECER, antes de tornar qualquer coisa alvo de elogio ou crítica.
Deixo aqui minha alfinetadinha construtiva: São as concepções ou a falta orientada delas que determinam o quanto podemos obter de estímulo, conhecimento sobre qualquer assunto independentemente de status, complexidade ou seja lá qual for o preconceito que determina os requisitos seletivos do que devemos ou não ler/assistir. Alguns lêem uma notícia no Diário Gaúcho e a partir dela fazem relações extremamente ricas com os temas filosóficos universais e sociais, outros no entanto, podem ler Aristóteles e considerar o conteúdo pobre e óbvio. ** essa última criatura bebeu umas e outras ou é semideus dotado de um entendimento ultra-raro que se mantém no anonimato...rsrs.

Bom, peço licença para deixar aqui algumas considerações, sem interesse em conflitos de "crenças" a respeito de "temas infinitamente particulares": religião, deus, jesus, espírito santo e a santíssima trindade. Sim, porque esse é o foco principal do livro: a relação do homem com a representação desses "substantivos divinos" fundamentais nos momentos de grande dificuldade com os quais nos deparamos tantas vezes na vida.
Minhas crenças são típicas de uma pessoa agnóstica/espiritualista/pragmática e confesso que o meu temor inicial quanto à obra confirmou-se lá pela página 65. Até então, estava maravilhada e envolvida com o suspense que se desenrolava num contexto familiar em que a filha mais nova de Mack Allen é raptada e evidências de que ela foi brutalmene assassinada são encontradas numa cabana abandonada. O desespero e a revolta tomam conta dos pensamentos e do dia-a-dia do pai da menina e a partir daí ele começa a "submeter" deus a um interrogatório acusador.
Não consideraria como um livro de auto-ajuda, porém, se encaixa nas fórmulas que fazem sucesso atualmente: um misto de suspense (nesse caso policial girando em torno das investigações sobre o desaparecimento da menina) com os sentimentos conflitantes provocados pelas dúvidas existenciais que mais enchem as igrejas de desesperados que buscam compreender e superar a morte e o sofrimento.

Não pretendo estragar a obra com meu ceticismo, mas o fato de o protagonista ter recebido um bilhete de Deus, assinado à caneta(hehe), rendeu a desconfiança: "R$29,90 colocados fora?!"

brincadeira...

Agora os acréscimos...os investimentos...
Destaque para algumas passagens inteligentes:

"Quem quer adorar um Deus que pode ser totalmente compreendido? Não há muito mistério nisso".
Aqui tenho a impressão de que conformar-se com nossa incapacidade de dimensionar um Deus criador, considerando que existe um encanto nos mistérios que fazem parte dessa busca que parece infinita, seria um conselho útil e acalentador.
Outra:
"Se realmente tivessem aprendido a considerar que as preocupações dos outros têm tanto valor quanto as suas, não haveria necessidade de hierarquia. Vocês humanos estão tão perdidos e estragados que não conseguem compreender um relacionamento sem hierarquia. Por isso acham que Deus se relaciona dentro de uma hierarquia". Interessante!

"Não é o trabalho, e sim o propósito que o torna especial". Acrescentaria: porém, sem o trabalho o propósito vira utopia.

"Direitos são o que os sobreviventes procuram para não terem de trabalhar os relacionamentos". Penso que...podem ser uma maneira política de organizar a ética baseada em valores morais de seres em evolução.

"A imaginação é uma capacidade poderosa! Mas sem sabedoria é uma professora cruel.
Onde você passa a maior parte do seu tempo, em sua imaginação: no presente, no passado ou no futuro? A imaginação do futuro é quase sempre ditada por algum tipo de medo numa tentativa desesperada de conseguir algum controle sobre algo que você não pode controlar. Muitos acreditam que é o amor que cresce, mas é o conhecimento que cresce, e o amor simplesmente se expande para contê-lo. O amor é simplesmente a pele do conhecimento".
Essa eu apenas contemplo com meu consentimento silencioso.

Ah! Um bilhete de Deus...

Vai ver eu estava com déficit de imaginação neste dia...